Postado em 04 de Fevereiro de 2026 ás 19:12

Gabriel Lincoln Pereira da Silva morreu durante abordagem policial
Reprodução/Redes Sociais
O policial militar apontado como autor do disparo que matou o adolescente Gabriel Lincoln, de 16 anos, foi promovido ao posto de 1º sargento da Polícia Militar de Alagoas (PMAL). O nome do policial não foi divulgado.
O crime ocorreu em 3 de maio de 2025, durante uma abordagem policial em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas. À época dos fatos, o militar ocupava a graduação de 2º sargento.
A decisão gerou indignação entre familiares da vítima e representantes da acusação. Ao g1, o advogado da família, Gilmar Menino, informou que a defesa tomou providências assim que teve conhecimento da promoção.
“Recebemos com sentimento de insatisfação e indignação a notícia de que o PM acusado de homicídio qualificado contra o menor Gabriel Lincoln foi promovido. Assim que tomamos ciência, peticionamos nos autos dando conhecimento ao magistrado e solicitando que o Ministério Público fosse oficializado para buscar explicações junto ao Comando-Geral da PMAL”, afirmou.
O advogado ressaltou que o processo ainda não foi julgado e que o júri popular deve ser marcado ainda este ano.
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“Promover um militar que responde por um crime grave de homicídio contra um menor de idade é, no mínimo, uma decisão desarrazoada. Isso causa revolta e uma sensação de impunidade para toda a população que clama por justiça no caso Gabriel Lincoln”, completou.
O pai do adolescente, Cícero Pereira, também se manifestou e destacou que a promoção ocorreu exatamente no dia em que o crime completou nove meses.
“Essa data me remete ao assassinato do meu filho. Hoje completa nove meses e somos surpreendidos com essa notícia que abalou Palmeira dos Índios. O policial que deu um tiro pelas costas em uma criança de 16 anos está solto e ainda foi promovido. Isso entristece e revolta toda a cidade”, disse.
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Inquérito policial
A Polícia Civil de Alagoas concluiu que Gabriel Lincoln foi morto por um tiro acidental disparado por um policial militar durante a abordagem e que os agentes forjaram a cena do crime para simular uma situação de legítima defesa.
De acordo com o delegado Sidney Tenório, integrante da comissão responsável pelo inquérito, exames periciais comprovaram que o adolescente estava desarmado, o que contradiz a versão apresentada inicialmente pelos policiais.
Ainda segundo a investigação, um revólver calibre 38 foi apresentado como se pertencesse ao jovem para justificar o disparo.
Ao final do inquérito, três policiais militares foram indiciados:
o sargento que efetuou o disparo, por homicídio culposo e fraude processual;
outros dois integrantes da guarnição, por fraude processual.
O g1 entrou em contato com a Polícia Militar de Alagoas, mas não tinha recebido resposta até a última atualização desta reportagem.