
Onça-parda reaparece em Alagoas após 25 anos sem registros
Uma onça-parda voltou a ser registrada em Alagoas após 25 anos. O flagrante foi feito no Sertão do estado pelo Instituto SOS Caatinga e confirmado pelo médico veterinário e vice-presidente da entidade, Rick Taynor Andrade Vieira. O último registro da espécie havia ocorrido em 2001, na região da Várzea da Marituba, em Piaçabuçu. (Assista acima)
Em contato com o g1 nesta terça-feira (17), Rick Taynor explicou que o animal, também conhecido como suçuarana ou puma, pertence à espécie Puma concolor e é classificado como vulnerável ao risco de extinção, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A lista estadual mais recente, publicada em 2017, também aponta a espécie na mesma categoria.
O local exato onde o animal foi encontrado não foi divulgado. “Uma vez que a gente divulga, esses animais são muito visados para a caça. Infelizmente, hoje ainda existe essa cultura no nosso estado. Então, para a segurança da espécie, a gente não divulga o local exato”, explicou o veterinário.
O registro foi feito em uma área de Caatinga considerada ambientalmente preservada. Além da onça-parda, também foram identificadas outras espécies ameaçadas, como a jaguatirica, o veado-catingueiro e o jacu.
Segundo o pesquisador, a presença do animal indica equilíbrio ecológico na região.“É uma espécie de topo de cadeia. Isso demonstra que a área apresenta boa qualidade ambiental. Para esse animal existir, precisa existir toda uma cadeia ecológica estruturada”, disse.
Ainda de acordo com ele, o exemplar registrado é um macho, com bom estado corporal e sinais de saúde.
O Instituto SOS Caatinga informou que já iniciou articulações com órgãos ambientais estaduais e federais para reforçar ações de conservação, como educação ambiental e fiscalização da área.
A ONG atua no Sertão de Alagoas com projetos voltados à preservação da fauna e flora da Caatinga, em parceria com instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Ministério Público de Alagoas (MP-AL). Entre as iniciativas, estão estudos com anfíbios, répteis, primatas e felinos ameaçados de extinção.
Especialistas também alertam para a necessidade de atualização das listas de espécies ameaçadas no estado, já que a última avaliação foi feita há quase uma década.
“Já vamos completar 10 anos da última avaliação. É importante atualizar essas informações para entender melhor o cenário atual das espécies”, disse Rick Taynor.
Câmera de monitoramento registra passagem de onça-parda no Sertão de Alagoas.
Instituto SOS Caatinga/Reprodução