Postado em 17 de Agosto de 2026 ás 16:27

JHC, Renan Filho e Alfredo Gaspar.
Montagem/g1
O cenário das eleições de 2026 em Alagoas só ganhou forma definitiva no sábado (15), nas últimas horas antes do prazo para registro das candidaturas. A definição do cargo e da chapa de JHC (PSDB), a escolha do vice de Renan Filho (MDB) e a saída de Alfredo Gaspar (PL) da disputa pelo Senado estiveram entre os principais movimentos que alteraram as alianças até o fechamento dos registros.
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Os partidos, federações e coligações tinham até as 19h de 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro à Justiça Eleitoral.
Na tarde de sábado (15), o DivulgaCandContas já mostrava as candidaturas de Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata) ao governo, com Jardel Queiroz (UP) e Jaudinete Pontes (Democrata) como vices. Para o Senado, já apareciam Alexandre Fleming (UP) e Davi Davino Filho (Republicanos).
A disputa pelo governo de Alagoas ficou com quatro chapas registradas. JHC (PSDB), da coligação Alagoas Gigante, terá Célia Rocha (PSDB) como candidata a vice-governadora. Lenilda Luna (UP) concorre ao governo ao lado de Jardel Queiroz (UP). Márcio Jambo (Democrata) terá Jaudinete Pontes (Democrata) como vice. Já Renan Filho (MDB), da coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo, terá Yale Barbosa como candidato a vice-governador.
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Para o Senado, sete candidatos foram registrados em Alagoas: Alexandre Fleming (UP), Arthur Lira, Davi Davino Filho (Republicanos), Dr. Wanderley, Mariedson (Democrata), Marina JHC e Renan Calheiros. Arthur Lira e Marina JHC aparecem vinculados à coligação Alagoas Gigante II, enquanto Dr. Wanderley e Renan Calheiros integram a coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo.
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JHC deixou o PL e chegou às convenções com chapa ainda aberta
JHC, prefeito de Maceió
Secom Maceió
No último dia do prazo, JHC (PSDB) foi registrado como candidato ao Governo de Alagoas, com Célia Rocha (PSDB) como vice. Para o Senado, Marina JHC foi registrada ao lado de Arthur Lira na coligação Alagoas Gigante II. A composição foi formalizada após meses de negociações sobre o cargo que JHC disputaria e a formação das vagas de vice e Senado.
Reeleito prefeito de Maceió em 2024 com 83,25% dos votos válidos, JHC começou 2026 ainda no PL e no comando estadual da legenda.
Na preparação para a eleição estadual, Arthur Lira já se movimentava para disputar uma das vagas ao Senado, enquanto JHC buscava espaço para outro nome ligado ao seu grupo.
Em março, a direção nacional do PL dissolveu a executiva estadual comandada por JHC. Pouco depois, ele deixou a legenda e se filiou ao PSDB. Dra. Eudócia, mãe de JHC, e Marina Candia, esposa dele, também migraram para o partido. JHC assumiu posteriormente o comando estadual do PSDB.
Em 4 de abril, ele renunciou à Prefeitura de Maceió para poder disputar outro cargo. Rodrigo Cunha, então vice-prefeito, assumiu o Executivo municipal. Mesmo após a renúncia, JHC não anunciou se disputaria o governo ou o Senado.
Em 5 de agosto, último dia das convenções partidárias, a Federação PSDB-Cidadania anunciou JHC como candidato ao Governo de Alagoas. Ele não participou do evento.
A ata informou que a federação teria candidatura própria, mas deixou para a Comissão Executiva a definição do candidato, do vice e de uma das vagas ao Senado até o prazo de registro.
Depois da convenção, o g1 procurou a assessoria de JHC para confirmar a candidatura. A resposta foi de que, naquele momento, não sabia informar se ele seria candidato ao governo ou ao Senado.
Enquanto isso, a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, aprovou Arthur Lira para o Senado e registrou uma composição que previa JHC para o governo, a indicação do vice pelo PL e a segunda vaga ao Senado para o PSDB-Cidadania.
Para o analista político Marcelo Bastos, autor dos livros “Eleições em Alagoas – 1978 a 2016” e “Personagens da Política Alagoana”, a demora em tornar pública a decisão também pode ser interpretada como uma estratégia política.
“Só se comentava isso: se ele ia ser candidato ao governo ou ao Senado. Isso foi uma estratégia de marketing”, avaliou Bastos.
Na avaliação do analista, JHC prolongou a expectativa em torno da candidatura, movimento semelhante ao que já havia ocorrido antes da renúncia à Prefeitura de Maceió.
Saída de Gaspar mudou disputa pelo Senado e abriu espaço para Marina
Alfredo Gaspar e Flávio Bolsonaro em evento que anunciou o deputado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, em Brasília
Vittor Sales/Divulgação
Outro movimento que alterou a composição foi a saída de Alfredo Gaspar da disputa pelo Senado. Gaspar havia sido anunciado candidato pelo PL, mas, um dia depois da convenção, deixou a corrida estadual para integrar como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
O PL registrou em ata a retirada da candidatura e manteve a possibilidade de Gaspar voltar à disputa estadual caso houvesse mudança na chapa presidencial antes do fim do prazo de registro.
Para a cientista política Luciana Santana, professora de Ciência Política da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e diretora do Instituto de Ciências Sociais da universidade, o episódio mostra como uma decisão nacional pode alterar rapidamente os arranjos estaduais.
Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como vice na chapa do PL
“A mudança foi, de fato, excepcionalmente rápida: Gaspar havia sido anunciado para o Senado em Alagoas e, no dia seguinte, foi apresentado como vice de Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Segundo Luciana, a possibilidade de mudanças entre as convenções e o registro faz parte do processo eleitoral, mas o caso chamou atenção pela dimensão da alteração.
“O que chama atenção não é simplesmente a possibilidade da mudança, mas sua velocidade e sua magnitude. Alfredo Gaspar não trocou uma candidatura estadual por outra candidatura estadual: saiu de uma disputa majoritária pelo Senado em Alagoas para integrar uma chapa presidencial”, explicou.
Para ela, o episódio é “quase um exemplo didático de nacionalização de uma decisão inicialmente estadual”.
Marina Candia ao lado do marido, o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas
Reprodução/Redes sociais
Com Alfredo Gaspar fora da disputa, uma das vagas ao Senado que estava nas negociações ficou disponível. Luciana Santana ressalta que uma candidatura majoritária faz parte de uma composição que envolve outros candidatos, partidos e alianças.
“Não se trata apenas de perguntar ‘quem substitui Gaspar?’. A pergunta mais importante é: quem ganha poder de negociação com a retirada dele?”, afirmou a cientista política.
Segundo Luciana, uma vaga aberta pode ser usada para acomodar outra liderança ou reorganizar uma coalizão.
Nesse cenário, Marina Candia passou a aparecer como possível candidata ao Senado. Flávio Bolsonaro declarou apoio a Arthur Lira e Marina para as duas vagas de Alagoas.
Na ata da convenção do PSDB-Cidadania, porém, Marina constava na lista de candidatos a deputada federal. Ao g1, a assessoria dela informou que, naquele momento, não sabia dizer se ela efetivamente disputaria o Senado. No encerramento do prazo para os registros, Marina foi registrada como candidata ao Senado.
Para Luciana, mudanças rápidas podem provocar uma percepção de instabilidade entre os eleitores, que tendem a entender o anúncio feito em uma convenção como uma decisão já tomada.
“O fato de uma decisão mudar rapidamente não prova, por si só, que não havia estratégia. Pode indicar que a hierarquia das prioridades mudou”, afirmou.
A definição de Marina para o Senado também teve reflexos na chapa do PSDB para deputado federal, na avaliação de Marcelo Bastos. “Muita gente foi para aquela chapa para deputado federal justamente aguardando que a Marina fosse candidata a deputada federal e fosse uma puxadora de votos”, afirmou.
Bastos avalia que a mudança para o Senado alterou esse cálculo já na reta final, quando os candidatos não podiam mais trocar de partido.
“De última hora, ele tira ela de candidata a federal e vai para o Senado. Isso prejudicou imensamente aquelas pessoas que foram para o PSDB em cima dessa possibilidade de se eleger na segunda vaga”, disse.
Vice e encontro com Lula marcaram reta final da chapa de JHC
Ronaldo Lessa e JHC
Assessoria
A vaga de vice na chapa de JHC ao governo de Alagoas também chegou aos últimos dias sem consenso entre os partidos.
O PDT aprovou Ronaldo Lessa para o posto. Já a Federação União Progressista registrou que a indicação deveria caber ao PL, posição também defendida pelo próprio partido. A Federação PSDB-Cidadania , por sua vez, deixou a escolha para uma definição posterior da direção.
Nos últimos dias antes do prazo, também foi divulgada a informação de que JHC teria se reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fora da agenda oficial, e comunicado a intenção de disputar o Senado.
Uma das fontes ligadas a Lira afirmou ao g1 que a reunião fora da agenda oficial ocorreu na segunda-feira (10), com a participação de Lula, JHC e João Campos (PSB). Segundo essas fontes, o encontro havia sido articulado inicialmente por João Campos, que discutia com Lula o cenário eleitoral de Pernambuco, e JHC participou da conversa a convite do presidente nacional do PSB.
JHC e Lula em Maceió.
Jonathan Lins/ Secom Maceió
Sobre a possibilidade de JHC mudar de rumo na eleição alagoana, uma das fontes ligadas a Lira afirmou ao g1 que o movimento “não surpreende”, porque mudanças e indefinições vinham acompanhando as decisões do ex-prefeito ao longo da formação das chapas.
No sábado (15), a definição foi formalizada: JHC foi registrado como candidato ao governo, Célia Rocha ficou como vice e Marina JHC foi registrada para o Senado.
Após registrar a candidatura ao governo, JHC também anunciou oficialmente a decisão por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. No pronunciamento, JHC disse que não deixaria de participar da eleição. “Eu jamais fugiria dessa luta. Jamais viraria as costas para quem acreditou em mim desde o primeiro dia”, declarou.
Renan Filho deixou ministério para voltar à disputa pelo governo
Renan Filho (MDB)
Assessoria
A vaga de vice na chapa de Renan Filho (MDB) só foi definida na reta final do prazo de registro. Yale Fernandes (MDB) foi o nome escolhido, no lugar de Marina Lamenha, que havia aparecido inicialmente na ata da convenção do partido.
Renan Filho começou 2026 ainda como ministro dos Transportes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cargo que ocupava desde 2023. Antes disso, havia governado Alagoas por dois mandatos, entre 2015 e 2022, e sido eleito senador naquele mesmo ano.
Em 2026, deixou o Ministério dos Transportes e retornou ao Senado para disputar novamente o Governo de Alagoas. A candidatura já contava com o apoio do governador Paulo Dantas (MDB), que havia declarado em janeiro que apoiaria Renan Filho na sucessão estadual.
Em 5 de agosto, o MDB oficializou Renan Filho como candidato ao governo. O partido também escolheu Renan Calheiros e José Wanderley Neto, o Dr. Wanderley, para as duas vagas ao Senado.
Renan Filho tinha candidatura definida, mas vice estava em aberto
Renan Filho (MDB) e Yale Barbosa (MDB)
Reprodução/ Instagram
A principal definição que permaneceu pendente na chapa de Renan Filho após a convenção foi a vaga de vice-governador.
A ata do MDB apresentou Marina Lamenha de Freitas Cavalcanti para o cargo. Ela trabalha no Senado desde 2007 e atua como auxiliar parlamentar no escritório de apoio de Renan Calheiros em Maceió.
Apesar de o nome constar na ata, Renan Filho afirmou posteriormente que a escolha ainda estava em discussão. Procurado pelo g1, o MDB informou que “Marina Lamenha sai como vice por enquanto, mas com certeza haverá mudança”.
E houve mudança. No registro final, Yale Barbosa foi confirmado como candidato a vice-governador na chapa de Renan Filho.
“Convidei e ele aceitou. Yale será nosso candidato a vice-governador", escreveu Renan Filho em postagem nas redes sociais.
Yale Barbosa colocou Arapiraca na composição da chapa
Renan Filho (MDB) e Yale Barbosa (MDB).
Arquivo pessoal
Publicitário e bacharel em Direito, Yale construiu a trajetória política em Arapiraca, onde preside o diretório municipal do MDB. Ele também foi vice-prefeito do município entre 2013 e 2016 e, antes de entrar na chapa estadual, ocupava a Secretaria de Governo na gestão de Luciano Barbosa.
Yale foi vice-prefeito justamente na gestão de Célia Rocha, escolhida em 2026 para ser candidata a vice de JHC. Com as definições das chapas, os dois ex-integrantes da mesma administração em Arapiraca passaram a ocupar as vagas de vice nos dois principais grupos da disputa estadual.
A presença de Yale também colocou Arapiraca, segundo maior colégio eleitoral de Alagoas, diretamente na composição da chapa do MDB. O nome era ligado politicamente ao prefeito Luciano Barbosa, que declarou apoio à candidatura de Renan Filho após a definição do vice.
A escolha também marcou uma reaproximação no campo político em Arapiraca. Luciano foi vice-governador de Renan Filho nas eleições de 2014 e 2018, mas os dois grupos se afastaram durante a disputa municipal de 2020. O apoio anunciado agora ocorre seis anos depois daquele rompimento.
Com a definição, o MDB fechou a chapa com Renan Filho para o governo e Yale Barbosa para vice. Para o Senado, a coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo registrou Renan Calheiros e Dr. Wanderley.