Postado em 27 de Fevereiro de 2026 ás 18:10

Alagoas registra aumento nas mortes por álcool e drogas durante a pandemia
As mortes associadas ao consumo de álcool e drogas aumentaram em Alagoas nos três primeiros anos da pandemia de covid-19, segundo estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Campus Arapiraca.
Em 2020, Alagoas contabilizou 532 mortes, aumento de 16,3% em relação à média anual dos cinco anos anteriores, que era de 457 óbitos. Em 2021, foram registrados 475 óbitos, crescimento de 3,1% em comparação com a média histórica. Já em 2022, o estado notificou 467 mortes, alta de 2,7% frente ao período pré-pandemia.
O levantamento analisou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) entre 2015 e 2022 e foi publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. A pesquisa foi coordenada pelo professor Márcio Bezerra-Santos, do Complexo de Ciências Médicas e de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Campus Arapiraca.
Cenário pandêmico
Ao g1, o professor informou que esses dados, segundo a hipótese apresentada, podem ser justificados pelo cenário pandêmico, com o isolamento social, a crise sanitária e a crise econômica gerada por toda aquela situação.
Ele destacou ainda a interrupção dos serviços de saúde, já que a maioria desses serviços foi direcionada para o controle da pandemia, o que acabou impactando diversos outros agravos em saúde. (Assista acima)
Ele explicou que, em Alagoas, o maior crescimento foi observado logo no primeiro ano da crise sanitária.
“Em Alagoas, a gente observou o maior percentual de crescimento no primeiro ano da pandemia, em 2020, com aumento de 16,3%. Nos anos seguintes, os percentuais continuaram crescendo, ainda que em ritmo menor, mas permanecendo acima da média histórica”, explicou.
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Regiões e perfil das vítimas
A análise regional apontou que Nordeste, Sudeste e Sul apresentaram os maiores aumentos proporcionais durante os primeiros anos da pandemia. No Nordeste, 2021 registrou um dos maiores percentuais de crescimento, com destaque para estados que tiveram elevações superiores a 50% em determinados períodos.
O estudo também identificou aumento das taxas tanto entre homens quanto entre mulheres. Embora os homens concentrem o maior número de mortes, o crescimento proporcional foi mais intenso entre as mulheres.
Por faixa etária, os aumentos foram mais evidentes entre jovens de 20 a 39 anos e pessoas com 60 anos ou mais. As análises de séries temporais confirmaram mudança significativa no padrão de óbitos a partir de março de 2020, quando a pandemia foi declarada.
Alerta para políticas públicas
Para Márcio, os dados reforçam a necessidade de medidas estruturais permanentes. “Os dados são um alerta urgente para a necessidade de implementação de políticas públicas voltadas à saúde mental e à redução de danos causados pelo uso dessas substâncias, inclusive em períodos de crise sanitária”, afirmou.
Apesar de limitações relacionadas a possíveis subnotificações e falhas de registro no SIM, os pesquisadores avaliam que as evidências são consistentes e apontam para uma epidemia colateral associada aos impactos sociais e econômicos da pandemia.
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