Adolescente surda e mãe que não sabe Libras improvisam comunicação em casa

Postado em 26 de Setembro de 2026 ás 14:59

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Emillyne, de 13 anos, é surda e se comunica por Libras. A mãe dela, Monique Rejane, não domina a língua. Dentro de casa, as duas precisam improvisar para conseguir se entender. Conversas simples entre mãe e filha acabam limitadas pela barreira na comunicação. (Assista acima)
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“Eu tenho problemas na comunicação porque minha mãe não fala [Libras]. [...] Quando minha mãe me pergunta, eu tento explicar, tento conversar, mas essa barreira de comunicação acontece porque ela não sabe Libras. Às vezes eu tento falar, mas ela não entende”, contou Emillyne.
Monique reconhece a dificuldade. Segundo ela, o conhecimento de Libras se resume a alguns sinais básicos usados no cotidiano. “Eu vou improvisando. [...] Sei o básico do básico: ‘oi’, ‘tudo bem’, ‘está doente’. Só o básico do básico”, explicou.
Para aprender novos sinais e tentar entender melhor a filha, Monique afirma que recorre à internet e a aplicativos.
Ela conta que já houve oferta de curso de Libras para mães, mas que atualmente não consegue encontrar uma opção que se encaixe na rotina de acompanhamento da filha. “Ou eu vou para o YouTube para saber as coisas que ela quer, os sinais, ou [uso] o aplicativo”, disse.
Emillyne, de 13 anos, é surda e se comunica por Libras, mas enfrenta dificuldade para conversar com a mãe.
Reprodução/TV Asa Branca Alagoas
Dificuldade também aparece em hospitais e emergências
Klewerson Lopes, vice-presidente da Associação de Surdos de Maceió, afirma que a falta de comunicação adequada também é encontrada em serviços públicos, hospitais, delegacias, situações de emergência e no mercado de trabalho.
Segundo ele, uma pessoa surda pode encontrar dificuldades, por exemplo, para compreender informações sobre um exame ou atendimento médico.
“Nos setores públicos, como hospital, como é que eu vou mediar essa comunicação? [...] Em delegacia também, como é que eu vou ligar se acontece alguma coisa? Será que eles vão entender? Não tem essa comunicação”, afirmou.
Klewerson também cita a dificuldade de uma pessoa surda pedir ajuda em uma emergência.
“Se minha casa pegar fogo, como é que eu vou ligar para eles? Como é que eu vou ter um acesso? É impossível. Daqui que eu chegue lá para me comunicar, é difícil”, disse.
No mercado de trabalho, segundo ele, as barreiras podem aparecer desde uma entrevista de emprego até o acesso às orientações de segurança dentro das empresas.
“Como é que eu vou ter acesso a essas orientações? E, se acontece um acidente, pela falta de comunicação, posso ser prejudicado”, afirmou.
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