Venezuelanos refugiados em AL temem agravamento da crise após ataque dos EUA

Postado em 05 de Janeiro de 2026 ás 09:45

Indígenas venezuelanos em Maceió repercutem crise Maduro
Uma série de explosões registrada na madrugada deste sábado (3) em Caracas, capital da Venezuela, repercutiu entre refugiados venezuelanos que vivem em Maceió. Pouco depois dos estrondos, o governo venezuelano afirmou que o país foi alvo de uma “agressão militar” dos Estados Unidos.
Em seguida, o presidente norte-americano Donald Trump confirmou o ataque e declarou que o presidente venezuelano Nicolás Maduro havia sido capturado.
A comunidade venezuelana refugiada em Maceió soube do episódio ainda nas primeiras horas da manhã, por meio de ligações de familiares que permanecem na Venezuela. Atualmente, 68 indígenas da etnia Warao vivem em um prédio que funciona como abrigo improvisado na antiga escola municipal Maria de Fátima Lira, no bairro Benedito Bentes.
“Recebemos informações por volta de três horas da manhã do que aconteceu no nosso país, na Venezuela. A gente não aguardava essa informação, e nossos parentes estão tristes”, afirmou Argênis Mendonza, líder indígena Warao, à TV Asa Branca Alagoas.
Argênis Mendonza, líder indígena Warao.
Tv Asa Branca Alagoas
Segundo o mediador cultural Dency Alberto, o contato com parentes começou por volta das cinco horas da manhã. “A família foi ligando, passando essa informação para a gente, para saber o que aconteceu e ainda está acontecendo na Venezuela”, disse.
Os refugiados relatam preocupação com o agravamento da crise humanitária. “Estão fechando as fronteiras. Perto da cidade onde moramos, o comércio que vende alimentação não consegue pegar mais alimentos. Não sabemos o que vai acontecer mais pra frente”, afirmou Dency Alberto. “Não sabemos como vai ser o futuro.”
Dency Alberto, mediador cultural.
Tv Asa Branca Alagoas
A migração de venezuelanos para o Brasil teve início em 2018, impulsionada pela crise política e socioeconômica no país vizinho. “Passou dois anos sem gasolina na Venezuela, passou também um tempo sem alimento. Temos famílias aqui que imigraram por causa disso”, relatou o mediador.
Apesar da apreensão, há também sentimentos ambíguos diante da notícia da prisão do presidente venezuelano. “Sofremos lá, saímos e estamos um pouco felizes por causa disso. Ele merece”, declarou Argênis Mendonza.
Para a professora de Direito Internacional e Direitos Humanos Vivianny Galvão, o episódio representa uma grave violação às normas internacionais. “O Brasil condenou, tradicionalmente, e já faria isso porque é uma grave violação ao dever de não intervenção dos Estados. Há um desejo dos Estados Unidos de mudança de regime, isso já foi sinalizado”, explicou.
A especialista também destacou os impactos da instabilidade sobre os fluxos migratórios. “A migração venezuelana deriva dessa instabilidade."
De acordo com ela, ao acolher e reconhecer o status de refugiado, o Brasil se compromete a respeitar os princípios do Direito Internacional dos Refugiados, especialmente o princípio da não devolução. "Não cessar o asilo até que a situação que deu origem à migração seja superada, com a retomada da estabilidade política naquele Estado”, explicou.
OUÇA AO VIVO
-