Vazão do Rio São Francisco aumenta mais uma vez e Chesf alerta população ribeirinha em Alagoas

Postado em 22 de Janeiro de 2022 ás 12:13

Volume de água subiu para 3.500 m³/s neste sábado (22) e deve chegar a 4.000 m³/s na segunda (24). Vazão é programada e está sendo monitorada pela Chesf. Vazão do rio São Francisco volta a subir e afeta cidades em Alagoas
A vazão da Hidrelétrica de Xingó, entre Alagoas e Sergipe, passou de 3.000 m³/s para 3.500 m³/s neste sábado (22). Por causa da cheia no rio São Francisco, o objetivo é liberar mais água dos reservatórios. O g1 esteve em Piranhas, no Sertão alagoano, que é a primeira cidade do estado a receber esse aumento de volume liberado.
As fortes chuvas que caíram em Minas Gerais, onde está localizada a nascente do rio, e na Bahia impactaram na elevação da bacia hidrográfica. O aumento do nível do rio se deu devido a abertura das comportas das Hidrelétricas de Sobradinho, na Bahia, e Xingó.
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) está monitorando a situação da cheia e os reflexos na vida dos ribeirinhos e da fauna e flora da região.
“É muita água que está descendo para o rio, as populações desse trecho do Baixo curso do São Francisco e do Submédio precisam se preparar para os 4.000, porque agora nós estamos aumentando para 3.500, mas vamos para o patamar de 4.000 m³/s. As prainhas já foram inundadas, as croas e ilhas. Animais precisam ser retirados imediatamente e, principalmente, os espaços que eram do rio e foram ocupados de forma desordenada. Então, isso é o impacto inicial”, disse Maciel Oliveira, presidente do CBHSF.
Uma das praias inundadas foi a de Pão de Açúcar, no Sertão de Alagoas, que desapareceu. O nível do rio subiu muito, obrigando os comerciantes da cidade a abandonarem suas barracas, que ficaram quase completamente encobertas.
Com a cheia do rio, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) autorizou a liberação da água dos reservatórios das hidrelétricas no início do mês. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) divulgou uma programação para aumento gradativo da vazão, impactando nas cidades ribeirinhas.
Na segunda (24), a vazão em Xingó chega ao patamar de 4.000 m³/s. Por não haver vazão nesse volume há 12 anos, a Chesf comunicou o planejamento às prefeituras para que fossem adotadas as devidas providências.
“Nós vamos ter uma reunião, da sala de situação da Agência Nacional de Águas, da Chesf, da Cemig e do Operador Nacional do Sistema Elétrico, no dia 26, próxima semana, para podermos verificar até quando essa vazão de 4.000 m³/s vai permanecer e decidir também a política das próximas vazões, pois está chegando muita água no Rio São Francisco, essa água ainda não chegou em Sobradinho, está chegando em Bom Jesus da Lapa, vai chegar na região oeste da Bahia, e essa água ainda está em Minas Gerais, em torno de 10.000 m³/s”, informou Oliveira.
Foi emitido alerta à população pelas Defesas Civis aos seguintes municípios alagoanos:
Belo Monte
Igreja Nova
Olho D’Água do Casado
Pão de Açúcar
Penedo
Piaçabuçu
Piranhas
Porto Real do Colégio
São Brás
Traipu
Aumento da vazão também tem benefícios
Para o guia de turismo João Dário, que realiza passeios de lancha em Piranhas, a cheia tem ajudado na navegabilidade, já que agora é possível passar por trechos que antes tinha dificuldade.
“O turismo ficou melhor, a questão de navegação. Como ele estava antes, muito seco, a navegação era muito complicada, porque tem muitas pedras aqui. Então, como ele subiu bastante, melhorou para navegação para gente”, disse Dário.
Segundo o presidente do Comitê, os benefícios não são apenas para a navegabilidade.
“Teremos muitos benefícios para o Rio São Francisco através dessas vazões de 4.000, porque aqui no Baixo São Francisco, ele vai fazer uma limpeza no rio, vai levar os bancos de areia, os sedimentos, vai ocupar as croas que formaram, vai levar tudo isso, e também vai ocupar as lagoas marginais, os canais, como de São Brás, que não estava com água há muitos anos, ou seja, o rio vai ter muita vida”, disse Oliveira.
Chesf alerta população ribeirinha em Alagoas para aumento da vazão do São Francisco
Guilherme Lins/ TV Gazeta
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