
Me conte sua história: Neila Sabino fala sobre criação do Instituto Amor 21
O nascimento de Arthur mudou completamente a vida da enfermeira Neila Sabino. O filho nasceu com síndrome de Down e, diante das dificuldades e da falta de informação sobre como lidar com a condição, decidiu transformar a própria experiência em um projeto de acolhimento. Foi assim que surgiu o Instituto Amor 21, em Alagoas.
Hoje, a instituição completa 12 anos de história e já atendeu mais de 200 famílias, oferecendo apoio, orientação e acompanhamento para pessoas com síndrome de Down em diferentes fases da vida.
Um sonho que começou com a maternidade
Ser mãe sempre foi um grande desejo de Neila. Mas a gravidez demorou a acontecer. Durante a gestação, tudo correu dentro da normalidade. O pré-natal não apontou nenhuma alteração.
“Não houve diagnóstico de nada atípico durante a gravidez. Transcorreu naturalmente. Ele nasceu de parto normal, com nove meses”, contou a TV Asa Branca Alagoas (Assista acima)
A notícia de que o bebê tinha síndrome de Down veio apenas após o nascimento e foi recebida com impacto pela família. Neila contou que, apesar de conhecer o tema por causa da profissão de enfermeira, nunca havia se aprofundado no assunto.
Arthur, filho de Neila Sabino, criadora do Instituto Amor 21 em Alagoas
Acervo pessoal/Reprodução
“Era um assunto que não me despertava interesse. E não tem problema falar sobre isso hoje, porque eu sei o quanto foi importante o Arthur vir para mudar tudo isso.”
Segundo ela, a forma como o diagnóstico foi comunicado também tornou o momento ainda mais difícil. “O profissional que deu a notícia para a gente parecia estar dando a notícia de uma catástrofe. Isso teve um peso muito grande e impactou muito o começo da nossa história.”
Nos primeiros meses de vida de Arthur, um dos maiores desafios foi lidar com a falta de informação e com a maneira como muitos profissionais tratavam a síndrome. Ela diz que foi preciso aprender a enxergar o filho além do diagnóstico.
“É muito importante entender que o diagnóstico tem que ser um ponto de partida e não o fim. Naquela época parecia o fim. Parecia que eu não tinha tido um bebê, tinha tido uma síndrome.”
Um espaço de acolhimento e inclusão
Neila Sabino e Arthur
Reprodução/ Tv Asa Branca Alagoas
Ao buscar informações e apoio, Neila começou a conhecer outras famílias que também tinham filhos com síndrome de Down. A troca de experiências mostrou o quanto era importante criar uma rede de apoio.
Na época, já existiam clínicas que atendiam pessoas com Down, mas não havia um espaço especializado.
A partir de conversas com outras famílias surgiu a ideia de criar um espaço que oferecesse acolhimento e informação. Assim nasceu o Instituto Amor 21.
O instituto começou com encontros entre famílias e, ao longo dos anos, foi crescendo. Em 2020, ganhou uma sede própria. Hoje, o espaço atende pessoas de diferentes idades.
“O mais novo que a gente recebeu tinha 17 dias. O mais velho tem 59 anos. É um atendimento para a vida inteira.”
Ao longo dos anos, o instituto acabou se tornando também uma grande família. “O Amor 21 me deu tantos filhos que eu fico emocionada quando vejo todos eles. É um amor que passa pelo cuidado e por algo que a gente acredita que vale a pena investir a vida.”