'Somos chamados de assassinos': comunidade de Alagoas relata ataques após morte de elefante-marinho

Postado em 08 de Abril de 2026 ás 05:02

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A comunidade de Lagoa Azeda, no município de Jequiá da Praia, Litoral Sul de Alagoas, afirmou estar sendo alvo de ataques e hostilizações após a morte do elefante-marinho conhecido como Leôncio, encontrado morto na terça-feira (31). Moradores relatam acusações nas redes sociais, constrangimentos públicos e medo diante da repercussão do caso.
Leôncio foi encontrado morto na praia de Lagoa Azeda em avançado estado de decomposição. De acordo com laudo do Instituto Biota, o animal apresentava diversos ferimentos provocados por objeto cortante, incluindo lesões no crânio, retirada de um dos olhos e ferimentos nas nadadeiras e costelas. Segundo os especialistas, não havia indícios de que o animal tenha sido vítima de redes de pesca ou outro acidente semelhante.
Moradores relatam perseguição e acusações
Ao g1, a presidente da colônia de pescadores e liderança local, Eliane Matias, disse que a repercussão tem prejudicado a população e gerado medo entre os moradores.
Segundo ela, pescadores já haviam visto o animal boiando no mar horas antes de encalhar e acionaram os órgãos responsáveis assim que perceberam a situação. “A comunidade sempre avisou e colaborou”, afirmou.
Eliane também relatou que, após a divulgação da morte, moradores passaram a ser alvo de ofensas e acusações. “A gente vem sendo perseguido. Chamam a comunidade de ‘povoado maldito’, querem impedir a pesca e dizem que somos assassinos. Isso é muito triste, porque sempre protegemos o meio ambiente”, disse.
Imagem mostra hostilidade que pescadores e moradores de Jequiá da Praia estão sofrendo após morte de elefante-marinho.
Reprodução/Redes sociais
A liderança destacou ainda que a comunidade é formada majoritariamente por pescadores artesanais e marisqueiras, que vivem dentro da Reserva Extrativista Lagoa do Jequiá e participam de ações de conservação ambiental.
“Todo mundo aqui sabe a importância de proteger o meio ambiente. A gente protege tartarugas, animais marinhos, ajuda pesquisadores, faz resgates e até arrecada dinheiro quando um animal precisa de atendimento veterinário. Estamos sendo injustiçados”, afirmou.
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Thiago Albuquerque, supervisor de educação ambiental do Projeto Meros do Brasil em Alagoas, também reforçou à reportagem que a comunidade de Lagoa Azeda tem sido injustamente atacada após a morte do elefante-marinho.
Segundo ele, o povoado é formado majoritariamente por pescadores e pessoas que vivem do mar, sem histórico de atitudes cruéis contra animais.
Albuquerque destacou que responsabilizar toda a comunidade é um "absurdo, já que a ação brutal teria sido cometida por poucas pessoas que não representam os moradores". Ele também ressaltou a importância de Lagoa Azeda para a conservação do ambiente marinho e o papel histórico da população local na defesa do território e dos recursos naturais (assista abaixo).
Supervisor de Educação Ambiental do Projeto Meros do Brasil fala sobre morte de Leôncio
Medo entre moradores
Elefante-marinho emite som de alerta ao se sentir ameaçado; especialistas reforçam a importância de manter distância e evitar interação.
Cortesia
Uma jovem de 25 anos, que preferiu não ser identificada, contou à reportagem que foi hostilizada dentro de um ônibus por usar uma camisa com o nome de Jequiá da Praia.
“Uma pessoa perguntou se eu era de Jequiá com tom de indignação. Depois, outras pessoas começaram a julgar, dizendo que os pescadores tinham feito isso. Fiquei constrangida e com medo, porque não sabemos como as pessoas podem reagir”, relatou.
Segundo ela, comentários nas redes sociais também têm sido frequentes, com acusações de que a comunidade teria histórico de violência contra animais, o que os moradores negam.
Internauta usa as redes sociais para atacar pescadores de Jequiá da Praia, em Alagoas.
Reprodução/Redes sociais
“Tem gente dizendo que aqui sempre mataram golfinhos e tartarugas, mas isso não é verdade. A comunidade sempre trabalhou na conservação ambiental, inclusive protegendo peixe-boi e orientando visitantes”, disse.
A jovem afirmou ainda que moradores têm evitado se expor publicamente por medo de represálias.
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