Escolhida na reta final para disputa ao Senado, Marina Candia dá a JHC vitória sobre clãs rivais em AL

Postado em 05 de Outubro de 2026 ás 15:49

Eleição para Senado: Arthur Lira e Marina JHC ficam com as duas vagas em AL
Escolhida na reta final para disputar o Senado, Marina Candia (PSDB) conquistou uma das duas vagas de Alagoas e deu ao grupo político de JHC (PSDB) uma vitória sobre adversários tradicionais da política alagoana. Estreante nas urnas, ela foi eleita com 926.860 votos, o equivalente a 28,20% dos votos válidos.
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Marina chegou à disputa após uma mudança na composição eleitoral. Ela passou a concorrer ao Senado depois que Alfredo Gaspar deixou a corrida pela Casa para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
Até então, Marina não aparecia como uma das protagonistas da eleição. Empresária e primeira-dama de Maceió entre 2021 e 2026, ela nunca havia disputado um cargo eletivo. Apesar disso, já vinha acumulando capital político ao participar diretamente das campanhas do marido.
Para o cientista político Ranulfo Paranhos, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), esse processo começou a ficar mais evidente na campanha pela reeleição de JHC à Prefeitura de Maceió. Segundo ele, Marina ganhou espaço como cabo eleitoral por conseguir circular principalmente nas periferias e estabelecer uma comunicação própria com o eleitorado.
A entrada dela na disputa pelo Senado, porém, também alterou o equilíbrio dentro do próprio grupo político. Paranhos avalia que a candidatura foi lançada apesar da resistência de Arthur Lira (PP), que também buscava uma das duas vagas.
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Na leitura do professor, a saída de Alfredo Gaspar do Senado para a chapa presidencial havia deixado Lira em uma situação mais confortável, tendo Renan Calheiros (MDB) como principal adversário. A entrada de Marina tornou a disputa novamente mais apertada.
“Quando ela é lançada candidata ao Senado, obviamente ela vai ameaçar o projeto do Arthur Lira”, afirmou.
Mesmo com a tensão interna, Marina e Arthur Lira acabaram eleitos. Para Paranhos, esse resultado transforma a ex-primeira-dama em um dos principais fenômenos políticos desta eleição em Alagoas.
“Ela aparece como fenômeno porque ela retira a vaga, ela e Arthur Lira, ninguém sabe qual dos dois, mas retira a vaga do Renan Calheiros”, avaliou.
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O senador Renan Calheiros (MDB-AL)
Andressa Anholete/Agência Senado
A derrota de Renan Calheiros também é um dos pontos centrais do resultado. O senador, ligado historicamente ao MDB, ficou fora das duas vagas depois de décadas como um dos principais representantes de Alagoas no Congresso Nacional.
Paranhos destaca que Renan construiu uma trajetória que vai além das disputas locais. Segundo ele, o senador manteve influência dentro do MDB, relação próxima com prefeitos e forte presença na articulação do Congresso ao longo de diferentes governos.
“É alguém com projeto de partido, é alguém que, dentre os pares, prefeitos, é muito confiável. É alguém que dentro do Senado, no Congresso Nacional, também faz muita diferença”, disse.
O professor lembra ainda que Renan ocupou papel de destaque na política nacional durante governos de diferentes partidos e mantém uma relação histórica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a derrota, o futuro político dele passa a ser uma incógnita. “A gente não sabe se é um hiato, se ele volta e como ele volta e para onde ele volta, ou se ele vai dizer: ‘eu vou conduzir o MDB da condição de líder daqui sem me candidatar novamente’”, afirmou.
O resultado também amplia a força política do grupo de JHC. Enquanto ele foi eleito governador de Alagoas, Marina conquistou uma cadeira no Senado em sua primeira eleição.
Quem é Marina Candia
Marina Candia ao lado do marido, o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas
Reprodução/Redes sociais
Marina Antunes Candia e Figueiredo tem 35 anos, nasceu em Cuiabá (MT) e é empresária. Ela tem ensino superior completo e foi primeira-dama de Maceió entre 2021 e 2026.
Casada com JHC, Marina ganhou maior projeção pública durante os dois mandatos dele à frente da Prefeitura de Maceió. A atuação na área social, a presença nas redes sociais e a participação nas campanhas do marido ajudaram a consolidar a imagem pública antes da estreia nas urnas.
Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral em 2026, Marina informou patrimônio de R$ 47.041.164,18. A maior parte corresponde a participações societárias, avaliadas em pouco mais de R$ 42 milhões. Ela também declarou apartamentos, veículos, investimentos e R$ 180 mil em dinheiro em espécie.
A primeira suplente da chapa é Dra. Eudócia (PSDB), mãe de JHC e sogra de Marina. O segundo suplente é Jurandir Boia (PDT).
Com a vitória, Marina iniciará em 2027 o primeiro mandato eletivo da carreira, com duração de oito anos.
Marina JHC
Assessoria
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