Marisqueiras denunciam falta de estrutura para trabalhar com sururu em Maceió: 'arriscamos nossa vida'

Postado em 14 de Maio de 2026 ás 17:08

Marisqueiras reclamam de falta de estrutura no Conjunto Cidade Sorriso I, em Maceió
Marisqueiras que vivem no Conjunto Cidade Sorriso, no bairro Benedito Bentes, em Maceió, denunciam falta de estrutura para trabalhar com o sururu e afirmam enfrentar dificuldades para manter a principal fonte de renda da família. (Assista acima)
Segundo elas, os altos custos com transporte do molusco, a ausência de um espaço adequado para o trabalho e a falta de apoio para cuidar dos filhos têm tornado a atividade “insustentável”.
As trabalhadoras relatam que moravam às margens da Lagoa Mundaú, no Vergel do Lago, mas foram transferidas em 2008 para o conjunto habitacional na parte alta da capital. Desde então, precisam pagar pelo transporte do sururu até as casas onde fazem o tratamento do molusco.
“Ganhamos muito pouco, uma lata seis reais e fica difícil. Então a gente deu uma paradinha pelos custos. É difícil pra gente pelo transporte, é longe da orla lagunar. Tem uma pessoa que traz pra colocar em cada casa das marisqueiras, eles cobram da gente R$ 400 por semana”, afirmou a marisqueira Vânia Teixeira em entrevista à TV Asa Branca Alagoas.
Ela também relatou as dificuldades enfrentadas durante o trabalho, principalmente em períodos de chuva.
“Quando chove, a gente tá trabalhando, leva chuva, adoece porque a gente trabalha com fogo, pega na água fria. É chuva, vento, trovoada, às vezes até raios. A gente fica arriscando nossa vida, mas porque precisa”, disse.
A reportagem solicitou um posicionamento da Prefeitura de Maceió, mas não teve retorno até a última atualização da reportagem.
"Cultura, raiz e resistência"
Marisqueiras de Alagoas.
Reprodução/Tv Asa Branca Alagoas
As marisqueiras pedem que a prefeitura disponibilize um terreno para que possam trabalhar em um espaço coletivo e adequado. Segundo elas, já existem uma cooperativa e uma associação formadas pelas trabalhadoras, mas falta uma estrutura fixa.
"A gente quer ter nosso direito. É nossa cultura, é raiz, é resistência. A gente veio da beira da lagoa, mas aqui mesmo trazemos a alma da lagoa. Pra nós é de pai pra filho, de vó pra netos, é uma tradição. Somos marisqueiras e não vamos tirar essas raízes da gente”, afirmou Vânia.
As trabalhadoras também reclamam de problemas de saúde provocados pela atividade e da dificuldade para conseguir atendimento médico e medicamentos.
“A gente trabalha sentada, aí se levanta, depois senta de novo e prejudica a coluna. Quando a gente vai pro médico nunca tem ficha, nunca tem remédio. Eu sou hipertensa, fui atrás de remédio controlado e de pressão e não tinha. Tive que comprar”, contou Vera Lúcia da Silva.
A reportagem apurou que as marisqueiras utilizam uma estrutura improvisada em um terreno ocupado no Cidade Sorriso para tratar o sururu. No local, elas chegaram a criar uma horta para aproveitar melhor a área.
Segundo as trabalhadoras, a administração municipal já foi procurada para que seja disponibilizado um espaço adequado para garantir o sustento das famílias.
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